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Microrganismos de painéis solares podem gerar produtos biotecnológicos

  • 26 de jan. de 2022
  • 2 min de leitura

Imagine alguém capaz de aguentar mudanças bruscas de temperatura, pouca água e horas e horas de sol.


Imagem: Divulgação


Esse alguém existe, ou melhor, "alguéns": são os extremófilos, microrganismos capazes de continuarem vivos em condições extremas em que poucas espécies sobreviveriam.


Pesquisadores brasileiros encontraram organismos desse tipo vivendo em painéis solares — e agora estão pesquisando aplicações práticas com eles que podem revolucionar a biotecnologia.



A pesquisa foi realizada no interior de São Paulo, no Laboratório de Microbiologia Aplicada da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em um projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).


Os resultados animadores acabam de ser divulgados em um comunicado da instituição à imprensa. O estudo foi publicado com destaque na revista científica Microbiology Letters.


Imagem: PXHere/Reprodução


As amostras analisadas no estudo, coletadas em Sorocaba e em Itatiba, revelaram microrganismos muito parecidos com os encontrados em painéis solares de Valência, na Espanha, Berkeley, nos Estados Unidos, no Ártico e na Antártica, apesar da distância geográfica e das diferenças climáticas entre os locais.



A análise foi feita por meio de sequenciamento genético parcial: o gene observado foi o 16S rRNA.


Mais de 90% da diversidade encontrada no estudo era de dois microrganismos: Methylobacterium-methylorubrum e Hymenobacter.


Cultura de bactérias e leveduras realizada no estudo Fonte: FAPESP/UFSCar


Em comum, essas leveduras e bactérias têm a capacidade de sobreviver com sol de rachar e pouquíssima água, já que os painéis solares, além de totalmente expostos às condições climáticas, são inclinados, para não acumular água.


E essa capacidade de adaptação que pode ser útil para nós também: essas bactérias podem criar biofilmes resistentes à radiação solar e as leveduras possuem características tensoativas, que ajudam a misturar água em componentes insolúveis.



Enquanto as bactérias podem ajudar na criação de pigmentos para as indústrias de alimentos, química, têxtil, farmacêutica e cosméticos como filtros solares, as leveduras podem ajudar na criação de produtos de limpeza para painéis solares – em um momento em que a demanda por energia limpa é cada vez maior.


A limpeza apropriada dos painéis solares, além da promovida por chuvas e lavagens ocasionais, é importante porque esses painéis, com o tempo de uso, acumulam poeira.


Imagem: Divulgação


Essa poeira, por sua vez, acaba se tornando um problema, porque diminui o potencial de captação de energia das placas.


Segundo dados divulgados pela Agência FAPESP, estudos realizados no Brasil mostraram que a poeira acumulada nos painéis, nas condições climáticas daqui pode reduzir a captação de energia em 11% após 18 meses da instalação.


Já nas condições climáticas de desertos, essa redução na capacidade de absorção de energia pode chegar a 39% — passando de 50% na ocorrência de eventos extremos, como tempestades de areia.



Já as moléculas encontradas nas leveduras podem ser empregadas como antimicrobianos, antitumorais e em biorremediação — que é o uso de processos biológicos para degradar, transformar ou remover contaminantes de um ambiente.


Iolanda Duarte, professora do Departamento de Biologia do Centro de Ciências Humanas e Biológicas (CCHB) da UFSCar e coordenadora da pesquisa, salientou.


Imagem: Divulgação


A Agência FAPESP, que o estudo é fundamental para o desenvolvimento de novas estratégias de gerenciamento de painéis solares e para remoção de biofilmes, que é um problema de difícil resolução em muitas atividades econômicas.


Fonte: Agência FAPESP

 
 
 

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